à mercê de todas aquelas verdades já fundadas, achou, por fim, melhor desistir.
pensava todos os dias sobre a necessidade de alimentar aquele “não sei o quê” não correspondido e viu que não podia mais. havia de existir alguma outra coisa que pudesse assumir este caráter de preenchimento, afinal persistia, corria atrás, alimentava um amor só para ter o que carregar no peito. descobrira seus limites aos trancos, e a partir dali viu que ainda dava tempo de dar um passo pra trás. não dava mais pé aquela situação toda sem pé nem cabeça, sem tesão, nem nada. parou na calçada e ficou olhando para trás, até que ela pudesse entrar no portão, até que pudesse perdê-la de vista, e se perguntava em qual momento desprevenido de fraqueza podia se agarrar para que a vontade de esquecer aparecesse. não aguentava mais, era isso. carregava um sentimento insustentável ao seu próprio criador e fora de todos os moldes daquela criatura.
e, mais uma vez, sem conhecer a melhor medida, pensou em tudo aquilo que carregava no peito, afinal persistia, corria atrás, alimentava um amor porque sabia que não existia outra coisa que lhe completasse tanto. ainda não conhecia o mal do amor correspondido, só que de outro jeito. e achava que só por isso não aguentava.
virou a esquina, acendeu um cigarro, e foi embora.
1 comentários.:
o mal do amor correspondido... Anhann! Com certeza isso existe!
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