(como era de se esperar...)
tem o cabelo amarelo e a modéstia pequena. não sabe agradar, não quer aprender pra agradar também. não faz por querer. não tem vontade também. ego inchado, nariz levantado, mas o coração é bom.
quer tudo nessa vida, a sede dos outros, o desejo das outras, o descompasso dos tolos, o amor das mesmas. quer tudo de todos e, no entanto, não quer ninguém. gosta de quem a deseja por perto, mas não quer o desejo de ninguém. aquilo que alimenta também a sufoca, por isso prefere só assistir. não faz por mal, quem conhece sabe. mas sua beleza é maldade pr'os olhos de quem não a tem.
fico pensando às vezes, quem vai aparecer na vida dela. se vai ser feliz, se vai saber o que quer ou vice-versa. se vai saber o que fazer.
ontem ela me soltou uma daquelas frases feitas, típico dela, como se não esperasse o que fosse ouvir em troca. disse que só depende de mim, olhando fundo no meu olho como só ela pode fazer, como se ela não soubesse que nada depende de ninguém... não se a vontade não existir.
não quero mais esperar por algo que a torcida do flamengo sabe que não vai acontecer. o fluminense sempre torceu conta, coisas da vida que não mudam. eu, vascaína que sou, estou acostumando-me com as derrotas e a faixa no peito, que freie minhas vontades incontidas!
não quero mais esperar essa saudade passar. sinto falta do colo, dos diminutivos sussurrados, das gargalhadas superlativas, dos fios amarelos no lençol azul, das discussões políticas, do pedaço de lã personificado.
tem o cabelo amarelo e a modéstia pequena. não sabe agradar, não quer aprender. não faz por querer. não me ama também.
1 comentários.:
Você escreve no nível de Clarice com a emoção sociopata de Albert Camus, mas na realidade seu eu lírico é Fernando Pessoal!! Pode discordar, claro; mas é o que sinto no momento. Poxa, o que você escreve é muito bom. Não falo do corpo do texto, mas do espírito dele... é transcendental sem se afastar da realidade, ou que a gente entende dela...
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